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Posicionamento da Sociedade Brasileira de Urologia sobre a Embolização das Artérias da Próstata para tratamento da HBP

Dr. Jerônimo Coelho
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Em 24 de março de 2016 o Conselho Federal de Medicina, pela Resolução n o 2.143/2016, aprovou o procedimento de embolização das artérias da próstata para o tratamento da Hiperplasia Prostática Benigna (HPB). O procedimento consiste na embolização seletiva das artérias prostáticas com o objetivo de induzir isquemia e consequentemente necrose e redução volumétrica da próstata, a fim de aliviar os sintomas urinários decorrentes da HPB. (1) Desde a primeira publicação sobre a técnica, novos estudos foram reportados. No entanto, a qualidade da maioria desses estudos é questionável e o número limitado de pacientes com seguimento em longo prazo compromete os dados disponíveis. (2) Em uma revisão sistemática de 2014 Schreuder e cols. incluíram nove estudos, dos quais oito foram considerados de má qualidade pelos autores. (2, 3) Uma revisão sistemática foi recentemente publicada por Lebdai e cols. Estudos com menos de 30 pacientes ou com dados duplicados foram excluídos da revisão, sendo que apenas quatro estudos foram utilizados na análise final. Destes, três foram classificados como nível de evidência 4 (coorte prospectivo) e um, como nível 2b (estudo clínico randomizado). Os autores concluíram que a literatura atual sobre o assunto é escassa e não fornece dados suficientes para atestar a aplicabilidade, segurança ou mesmo a eficácia a médio prazo da embolização seletiva das artérias prostáticas. (1) Segundo a última avaliação do instituto britânico NICE - National Institute for Health and Care Excellence, em 2015, a embolização seletiva da artérias prostáticas para o tratamento da HPB deve ser apenas usada no contexto de pesquisa clínica, devido a qualidade e quantidade inadequada de dados sobre sua segurança e eficácia. (4) Estudos futuros de melhor qualidade e, portanto, com maior nível de evidência, são necessários para definir não apenas a eficácia e segurança do procedimento em médio e longo prazo, mas também sua posição frente a estabelecidos tratamentos clínicos e cirúrgicos da HPB, seleção apropriada de pacientes e avaliação de custo-benefício. Portanto, a SBU não recomenda atualmente a embolização seletiva das artérias prostáticas como alternativa terapêutica para sintomas urinários decorrentes da HPB. Sua aplicação deve limitar-se a estudos clínicos para que dados de qualidade sejam produzidos e conclusões definitivas possam ser alcançadas.

 

 

 

Referências: 1. Lebdai S, Delongchamps NB, Sapoval M, Robert G, Amouyal G, Thiounn N, et al. Early results and complications of prostatic arterial embolization for benign prostatic hyperplasia. World J Urol. 2016;34(5):625-32. 2. Kaplan SA. Re: The Role of Prostatic Arterial Embolization in Patients with Benign Prostatic Hyperplasia: A Systematic Review. The Journal of urology. 2016;195(1):138. 3. Schreuder SM, Scholtens AE, Reekers JA, Bipat S. The role of prostatic arterial embolization in patients with benign prostatic hyperplasia: a systematic review. Cardiovasc Intervent Radiol. 2014;37(5):1198-219. 4. Available from: https://www.nice.org.uk/researchrecommendation/furtherresearch-on-prostate-artery-embolisation-for-benign-prostatic-hyperplasiain-theform-of-randomised-trials-or-cohort-studies-for-example-using-an-appropriateregister-should-clearly-document-patient-selection-criteria-and-all-complicationsspecific.



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